Seu bebê parece não se incomodar com barulhos estranhos e nem mesmo esboça um sorrisinho quando ouve a sua voz? Ele já passou dos três anos e tem dificuldade de formar palavras e se comunicar ou deixa o volume da TV alto demais? Esses são alguns dos indícios de problemas auditivos que às vezes podem passar despercebidos.
“Podemos começar a perceber problemas auditivos quando desde pequenininhas as crianças não dão atenção ao que os pais falam ou aos sons que deveriam assustar”, conta a fonoaudióloga Marcella Vidal, da Telex Soluções Auditivas. De acordo com ela, o ideal para reconhecer possíveis problemas é fazer o teste da orelhinha assim que a criança nasce. “Ele não é um diagnóstico, mas uma triagem. Se for detectado algum problema, a criança será encaminhada para exames mais completos”, explica a fonoaudióloga Elisabetta Radini, especialista em audição e coordenadora do Departamento de Audição da Oto-Sonic.
Segundo as profissionais, nos primeiros meses é difícil perceber a falha na audição. Ainda assim, alguns sinais sutis devem ser levados em consideração. “Quando a criança não esboça reação ao ouvir a voz dos pais, isso pode ser um indicativo”, conta Elisabetta. Ela lembra também que muitos bebês demoram a ser diagnosticados porque os pais não querem admitir a situação. “É muito difícil reconhecer que existe um problema, existe um período de negação”, fala.
Esse diagnóstico, contudo, é muito importante, pois tratar desde cedo é o segredo para dar a chance de um desenvolvimento normal aos filhos: se a deficiência é detectada aos seis meses, há uma chance real de melhorar a qualidade de vida. “Quando nasce, a criança está em fase de maturação e ao ser estimulada pode ter uma melhora”, explica Elisabetta.
Passado esse período sem a detecção do problema, dificuldades escolares também podem ser indicativos. “Quando a criança é maior, fica mais fácil perceber. Quem assiste à televisão com volume muito alto, não ouve os pais e é muito dispersa nas aulas pode sim ter algum problema”, diz Marcella. Ela reforça que a troca de letras na fala, quando acima dos três anos, também deve ser observada.
Deficiência auditiva grave
“Se a criança não olha quando ouve barulhos ou a voz da mãe e se não começa a balbuciar no primeiro aninho pode ser um indicativo de problema de audição grave”, conta a fonoaudióloga Marcela. É importante que você esteja atenta e procure um médico se achar que o bebê está demorando demais para tentar emitir os primeiros sons.
Caso o problema seja detectado, não passe a se comunicar apenas por gestos, pois isso pode ser prejudicial para uma vida social futura. “Independente do grau é importante que os pais continuem a conversar com ela. O erro é criar gestos para se comunicar, porque isso vai impedir o desenvolvimento de uma educação de comunicação oral”, indica.
Nesse ponto, o entendimento do outro pela leitura labial deve ser estimulado. “Conte histórias com livros bem coloridos para criar o costume com essa linguagem. Se a criança não ouve e de repente consegue expressar um simples papai ou mamãe isso é uma vitória”, ensina Marcella.
Causas que podem ser evitadas
De acordo com Elisabetta, muitos problemas de audição começam com infecções nos ouvidos, as famosas otites, que são silenciosas e não causam dor. “A otite junta um líquido, que impede a audição normal. Os pais acabam não percebendo”, explica. Causas comuns da otite são o leite escorrer no ouvido das crianças durante a amamentação e até mesmo aexposição a muito barulho, já que o ruído é muito prejudicial para bebês.
Outro cuidado importante é não usar a haste flexível com ponta de algodão para limpar as orelhas do bebê, ou pelo menos evitar o contato com a parte interna do ouvido. “Passe apenas no lado externo, é um erro muito comum querer limpar a parte interna, que pode empurrar a cera mais fundo ou até mesmo machucar”, finaliza Elisabetta.
Naiara Taborda
Fonte: daquidali





